Resposta curta: a metformina é o antidiabético oral mais usado no tratamento da diabetes tipo 2 e, em Portugal, é medicamento sujeito a receita médica. Existe em comprimidos de 500 mg, 850 mg e 1000 mg de cloridrato de metformina. Os adultos começam habitualmente com 500 ou 850 mg, duas a três vezes por dia, até um máximo de 3000 mg diários repartidos por três tomas. As queixas gastrointestinais no início são o efeito secundário mais frequente; a acidose láctica é rara mas grave e obriga a parar e procurar urgência.
Esta página reúne o que consta do folheto informativo aprovado em Portugal e das normas nacionais.
Não prescrevemos. Não sugerimos alterações de dose. Não vendemos medicamentos. Quem decide dose e esquema é o médico.
A acidose láctica é um efeito secundário muito raro da metformina, com frequência até 1 em cada 10 000 utilizadores, mas é grave e pode evoluir para coma. Sinais a reconhecer: vómitos, dor abdominal com cãibras musculares, mal-estar geral com cansaço extremo, dificuldade em respirar, descida da temperatura corporal e do batimento cardíaco.
Perante estes sinais, parar o medicamento e contactar de imediato os serviços de urgência — 112. O risco sobe com função renal comprometida, desidratação, infeção grave, jejum prolongado, consumo de álcool e problemas hepáticos, cardíacos ou respiratórios graves.
A metformina isolada não provoca hipoglicemia, mas quem a toma associada a insulina, sulfonilureias ou meglitinidas pode ter descidas. Glicemia igual ou inferior a 70 mg/dl: 15 g de açúcar de absorção rápida, esperar 15 minutos e voltar a medir. Pessoa inconsciente: não dar nada por via oral, ligar 112.
Dúvida aguda sem risco de vida: SNS 24, 808 24 24 24.
Para que serve a metformina
A metformina é o fármaco de primeira linha no tratamento da diabetes tipo 2, uma biguanida que atua sobretudo reduzindo a produção de glicose pelo fígado e melhorando a sensibilidade do organismo à insulina que já produz.
O objetivo do tratamento é manter a glicemia dentro dos alvos definidos pelo médico e, com isso, reduzir o risco de complicações a longo prazo.
O acompanhamento faz-se com análises. Sobretudo a o que a HbA1c mostra, cujo objetivo geral em adultos com diabetes tipo 2 é inferior a 7%.
No Diabetes Prevention Program, o ensaio de referência mundial em pessoas com pré-diabetes, a metformina reduziu em 31% o risco de progredir para diabetes face ao placebo, ao longo de 2,8 anos.
A intervenção intensiva no estilo de vida, no mesmo estudo, reduziu esse risco em 58%.
Precisa de receita médica?
Sim. Em Portugal a metformina é medicamento sujeito a receita médica (MSRM). Não se compra sem prescrição, ao contrário de suplementos alimentares como a gimnema ou a berberina, que estão noutra categoria regulatória e noutro patamar de evidência.
Somos uma redação de saúde, não uma farmácia: esta página descreve o que o folheto informativo aprovado diz, para que quem já tem prescrição perceba melhor o que está a tomar e chegue à consulta com perguntas melhores.
Doses disponíveis e o que significam os miligramas
Os comprimidos são de cloridrato de metformina. O número na caixa refere-se ao sal, não à metformina-base — daí a diferença entre os dois valores da tabela.
| Comprimido | Metformina-base |
|---|---|
| 500 mg de cloridrato | 390 mg |
| 850 mg de cloridrato | 663 mg |
| 1000 mg de cloridrato | 780 mg |
É por isso que 500 mg de uma marca e 500 mg de outra são equivalentes: o valor refere-se sempre ao cloridrato.
Como se começa e até onde se pode ir
Nos adultos, o esquema habitual arranca com 500 mg ou 850 mg, duas ou três vezes por dia, e a dose vai sendo ajustada conforme a resposta da glicemia.
O teto é 3000 mg por dia, repartidos por três tomas.
Em crianças com 10 anos ou mais e adolescentes, a dose inicial habitual é de 500 a 850 mg uma vez por dia, com máximo diário de 2000 mg em duas a três tomas.
Entre os 10 e os 12 anos há uma cautela extra: o tratamento só deve começar após aconselhamento médico específico. A experiência nesta faixa etária é limitada.
O aumento gradual da dose não é excesso de cautela: é a forma prática de reduzir as queixas gastrointestinais do início do tratamento.
Antes ou depois das refeições?
O folheto informativo indica que os efeitos gastrointestinais são atenuados tomando o comprimido durante ou após a refeição.
É das dúvidas mais pesquisadas em português. A resposta cabe em quatro palavras: com comida, não em jejum.
A pergunta faz sentido. Enjoos, diarreia e dor abdominal são frequentes nas primeiras semanas, e levam muita gente a abandonar o tratamento antes de o corpo se habituar.
Se as queixas persistirem, o assunto é para levar ao médico, que pode ajustar o esquema. Não é para resolver parando por iniciativa própria.
Efeitos secundários, por frequência
| Frequência | Efeitos |
|---|---|
| Muito frequentes (> 1 em 10) | Náuseas, vómitos, diarreia, dor abdominal, perda de apetite — sobretudo no início |
| Muito raros (< 1 em 10 000) | Níveis baixos de vitamina B12, alterações da função hepática e hepatite, reações cutâneas como eritema e urticária |
| Muito raros, graves (até 1 em 10 000) | Acidose láctica — ver o bloco de emergência no início desta página |
Ler esta tabela pela ordem certa ajuda. O que é muito frequente é incómodo e costuma passar; o que é grave é muito raro.
Confundir as duas colunas é o que faz alguém deixar um medicamento eficaz por medo de um evento com frequência de 1 em 10 000.
Metformina e vitamina B12
A descida dos níveis de vitamina B12 no sangue consta do folheto informativo como efeito secundário muito raro, com frequência inferior a 1 em 10 000.
É conhecido no tratamento prolongado. Daí que alguns médicos peçam doseamento de B12 no seguimento.
Não é motivo para suplementar por conta própria. Sintomas como formigueiro nas mãos e nos pés ou cansaço desproporcionado são para descrever na consulta, onde podem ser investigados com análise em vez de suposição.
"A metformina ataca os rins?"
É um receio popular recorrente, e a resposta honesta não é um simples não.
A metformina não danifica rins saudáveis. A relação existe no sentido inverso: uma função renal já reduzida aumenta o risco de acumulação do fármaco e de acidose láctica.
Por isso o folheto informativo prevê vigilância da função renal, pelo menos uma vez por ano, e mais vezes em idosos ou em quem já tem a função renal diminuída.
Em função renal gravemente reduzida, é contraindicada.
Traduzindo para a prática: a análise à creatinina que o médico pede não é rotina burocrática, é o mecanismo de segurança que permite manter o tratamento.
A metformina baixa demasiado o açúcar?
Por si só, não. A metformina não provoca hipoglicemia quando é o único antidiabético em curso.
O risco de hipoglicemia surge quando é combinada com fármacos que a podem causar: insulina, sulfonilureias e meglitinidas. Quem faz uma dessas associações deve conhecer a regra dos 15/15 e ter açúcar de absorção rápida acessível — o protocolo está descrito em valores da glicemia.
Interações: o que dizer ao médico e ao farmacêutico
O folheto informativo assinala vários grupos de medicamentos que exigem atenção quando se toma metformina:
- diuréticos;
- anti-inflamatórios não esteroides e inibidores da COX-2, como ibuprofeno e celecoxib;
- anti-hipertensores, incluindo inibidores da ECA e antagonistas do recetor da angiotensina II;
- agonistas beta-2, como salbutamol e terbutalina;
- corticosteroides;
- fármacos que alteram a concentração de metformina no sangue, sobretudo com função renal reduzida — verapamilo, rifampicina, cimetidina, dolutegravir, ranolazina, trimetoprim, vandetanib, isavuconazol, crizotinib e olaparib.
Caso à parte: os contrastes iodados usados em exames radiológicos exigem suspensão temporária da metformina.
Vai fazer TAC com contraste ou angiografia? Diga que toma metformina. Muda a preparação do exame.
Genéricos, preço e onde se compra
A metformina existe em Portugal sob várias marcas de genérico.
Duas confirmadas nesta verificação: Generis e toLife, esta última titular do folheto informativo citado nesta página. A lista completa consulta-se no motor de pesquisa do Infarmed.
Preço verificado a 25 de agosto de 2026: Metformina Generis MG 500 mg, embalagem de 60 comprimidos, 2,83 € numa farmácia online portuguesa.
É preço de tabela, sem processamento de comparticipação do SNS. Na farmácia, com receita, o encargo do utente costuma ser menor: o Estado comparticipa os medicamentos sujeitos a receita que estejam abrangidos.
Sobre "onde comprar": em farmácia, com receita médica.
Sites que anunciem metformina sem prescrição não cumprem o enquadramento português deste medicamento. E o que chega por essa via não tem garantia de origem.
Nota para quem chegou por conteúdo brasileiro. Glifage é o nome comercial da metformina no Brasil e não existe com esse nome em Portugal.
A substância é a mesma. Aqui procura-se por metformina mais o nome do laboratório genérico.
Combinações: sitagliptina, vildagliptina, dapagliflozina, empagliflozina
Quando a metformina isolada deixa de chegar, o médico pode associar-lhe outro antidiabético, por vezes num comprimido único de combinação fixa.
As mais procuradas em português são quatro: sitagliptina, vildagliptina, dapagliflozina, empagliflozina.
Duas famílias, e nenhuma delas é a da metformina.
A sitagliptina e a vildagliptina são inibidores da DPP-4. A dapagliflozina, a empagliflozina e a canagliflozina são inibidores do SGLT2. Mecanismos e perfis de efeitos secundários diferentes entre si.
Ponto que importa para a segurança: nenhuma destas duas famílias é o grupo que, associado à metformina, gera risco relevante de hipoglicemia. Esse risco está descrito para insulina, sulfonilureias e meglitinidas.
Porque não publicamos aqui os nomes comerciais das combinações
As combinações fixas de metformina com estas substâncias existem no mercado europeu, e seria fácil listar quatro nomes de caixa.
Não o fazemos por uma razão simples. À data desta verificação não confirmámos no Infomed/Infarmed quais delas estão efetivamente comercializadas em Portugal, e uma lista de marcas erradas ou descontinuadas faz mais mal do que a ausência dela.
Assim que a confirmação estiver feita, os nomes entram aqui com data e fonte. A consulta oficial, entretanto, faz-se no Infarmed ou na farmácia, com a embalagem à frente.
Existe alternativa natural à metformina?
Não existe suplemento alimentar que substitua a metformina.
É a resposta direta a uma pesquisa frequente, e é a honesta. Os suplementos são regulados como alimentos, não como medicamentos: não passam pelo processo de aprovação de um antidiabético e não têm indicação terapêutica para tratar a diabetes.
Isso não significa que a investigação sobre substâncias como a gimnema, a berberina ou o crómio não exista — existe, com resultados de qualidade variável, e vale a pena conhecê-la com números à frente em vez de promessas.
O que nunca deve acontecer é parar ou reduzir um medicamento prescrito por causa de um suplemento. Essa decisão é do médico, com análises na mesa.
O que a metformina não substitui
O próprio folheto informativo declara que a metformina "não pode substituir os benefícios de um modo de vida saudável" e que o doente deve manter alimentação adequada e exercício.
Os números do Diabetes Prevention Program dizem o mesmo por outra via. Em pessoas com pré-diabetes, a intervenção no estilo de vida reduziu o risco de progressão para diabetes em 58%, contra 31% da metformina.
Não são alternativas concorrentes. São camadas que se somam — e a mais barata delas é a que depende do prato e dos pés.
Isto é o folheto explicado, não uma prescrição
O conteúdo do folheto informativo aprovado está reorganizado por perguntas reais: doses, frequência de efeitos secundários, interações, preço de genérico e enquadramento legal em Portugal.
O que fica de fora é a prescrição, a dose para o seu caso e qualquer sugestão de iniciar, alterar ou suspender tratamento. Metformina é medicamento sujeito a receita médica, e a única leitura que conta sobre a sua dose é a de quem o segue.
Quem quiser perceber onde este medicamento se encaixa no resto do tratamento encontra o percurso completo na abertura do site.
Fontes utilizadas
- Folheto Informativo Metformina toLife, Towa Pharmaceutical S.A., revisto em julho de 2022 (estatuto MSRM, doses 500/850/1000 mg e equivalência em base, dose máxima 3000 mg, dose pediátrica, efeitos secundários por frequência, acidose láctica, vitamina B12, ausência de hipoglicemia isolada, interações, contraste iodado, vigilância renal, "não substitui um modo de vida saudável"): https://towapharmaceutical.pt/wp-content/uploads/2024/06/FI_6_Metformina_toLife.pdf
- Preço verificado de Metformina Generis MG 500 mg, 60 comprimidos: https://www.farmaciaclabel.pt/metformina-generis-mg-500-mg-blister-60-unidade-s-comp-revest-pelic.html
- Motor de pesquisa oficial de genéricos do Infarmed (lista completa de genéricos de metformina): http://app10.infarmed.pt/genericos/genericos_II/lista_genericos.php?tabela=disp&fonte=dci&escolha_dci=TWV0Zm9ybWluYQ%3D%3D
- Infarmed / Comissão Nacional de Farmácia e Terapêutica, «Recomendações para a Terapêutica Farmacológica da Hiperglicémia na Diabetes Mellitus tipo 2» (metformina em monoterapia como primeira linha, R2; titulação progressiva e toma durante ou após as refeições, R3; classes de segunda linha, incluindo inibidor da DPP-4 e inibidor do SGLT2): https://www.infarmed.pt/documents/15786/1816213/Recomenda%C3%A7%C3%B5es+para+a+Terap%C3%AAutica+Farmacol%C3%B3gica+da+Hiperglic%C3%A9mia+na+Diabetes+Mellitus+tipo+2/20d226f0-55d0-4c25-7d29-020adb0642c4
- EMA, procedimento sobre inibidores do SGLT2 — dapagliflozina, canagliflozina e empagliflozina como inibidores do SGLT2 e respetivas associações com metformina autorizadas na UE: https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/referrals/sglt2-inhibitors
- EMA, EPAR de vildagliptina/cloridrato de metformina (vildagliptina como inibidor da DPP-4): https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/vildagliptin-metformin-hydrochloride-accord
- Diabetes Prevention Program — redução de risco de 31% com metformina e 58% com estilo de vida (Knowler WC et al., N Engl J Med 2002;346:393-403, DOI 10.1056/NEJMoa012512; síntese em Diabetes Care): https://diabetesjournals.org/care/article/48/7/1101/158195
- Norma DGS nº 025/2011, Insulinoterapia na Diabetes Mellitus tipo 2 (objetivo terapêutico de HbA1c < 7%): https://ordemdosmedicos.pt/files/pdfs/G0tT-Norma_025_2011_de_29_09_2011_atualizada_30_07_2013_Insulinoterapia_na_Diabetes_Mellitus_tipo_2.pdf
- Norma DGS nº 002/2011, Diagnóstico e Classificação da Diabetes Mellitus: https://normas.dgs.min-saude.pt/2011/01/14/diagnostico-e-classificacao-da-diabetes-mellitus/
- Regra dos 15/15 e limiar de hipoglicemia (≤70 mg/dl): https://www.inem.pt/2017/05/29/hipoglicemia/
- INEM e SNS 24 — quando ligar 112 e quando ligar 808 24 24 24: https://www.sns24.gov.pt/servico/quando-ligar-sns-24-ou-inem/
Autor: Redação Açúcar no Sangue · como trabalhamos Publicado: 25 de agosto de 2026 · Última atualização: 25 de agosto de 2026
Nota clínica. Esta página informa sobre um medicamento sujeito a receita médica. Não prescreve, não ajusta doses e não substitui o folheto que vem dentro da embalagem nem a consulta.
Preços. O valor citado foi verificado a 25 de agosto de 2026 numa farmácia online portuguesa e não é tabela oficial do Infarmed — confirme na farmácia.
Independência. Não vendemos medicamentos, não representamos laboratórios e não recebemos pagamento de nenhuma marca de genérico mencionada.